terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Governo reafirma compromisso com atualização dos índices

O Fórum Nacional de Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) participou de audiência, em Brasília, com o governo federal, para apresentar um panorama da situação da Reforma Agrária e denunciar a atual ofensiva do latifúndio.

Na presença do ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência), do presidente do Incra, Rolf Hachbart e do chefe do gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, entidades como o MST, Contag, MPA, MAB, CUT, CNBB, entre outros, discutiram o andamento da Reforma Agrária no País.

Os movimentos populares denunciaram a ofensiva dos latifundiários, com a apresentação de projetos o Congresso para tirar do Poder Executivo a responsabilidade de fazer a desapropriação de terras e a atualização dos índices de produtividade, a criação de uma CPI contra a Reforma Agrária e as propostas dos ruralistas de mudanças do Código Florestal.

?Os movimentos sociais cobraram do governo a continuidade e o aprofundamento das medidas para a realização da Reforma Agrária, como a atualização dos índices de produtividade, desenvolvimento dos assentamentos, a desapropriação de latifúndios e o assentamento das famílias acampadas?, disse José Batista de Oliveira, da coordenação nacional do MST.

Durante a reunião, os representantes do governo reafirmaram o compromisso do presidente Lula com a atualização dos índices de produtividade. Um próximo encontro foi marcado para o dia 15 de dezembro para dar continuidade às avaliações do andamento da Reforma Agrária no ano de 2009 e perspectivas para 2010.

Uma carta de reivindicações, dentre elas o cumprimento do que determina a Constituição a respeito das áreas indígenas e de quilombolas, a efetivação de um controle rigoroso dos agrotóxicos, a aprovação da PEC do trabalho escravo e o estabelecimento de um limite para a propriedade da terra, também foi entregue.

Entidades que compõem o FNRA: CONTAG - MST - FETRAF Brasil - CUT - CPT - CÁRITAS BRASILEIRA - MMC - MPA - MAB - CMP - CONIC - CONDSEF - Pastorais Sociais da CNBB - MNDH - MLT - ABRA - ABONG - APR - ASPTA - ANDES - Centro de Justiça Global - CESE - CIMI - CNASI - DESER - ESPLAR - FASE - FASER ? FEAB - FIAN-Brasil - FISENGE - IBASE - IBRADES - IDACO - IECLB - IFAS - INESC - MLST - PJR - REDE BRASIL sobre Instituições Financeiras Multilaterais - Rede Social de Justiça e Direitos Humanos - RENAP - SINPAF - TERRA DE DIREITOS - EMPÓRIO DO CERRADO - COIABE - ABRANDH - ABEEF - Comissão de Justiça e PAZ - Grito dos Excluídos - Jubileu Sul/Brasil - Mutirão Nacional pela Superação da Miséria e da Fome.

Lula, o mundo e a mídia

Quando Lula não apenas discordou da mandatária alemã Ângela Merkel e também disse que as potências atômicas não têm moral para exigir que o Irã não tenha direito ao seu programa nuclear, percebemos novamente como opera a linha editorial subproduto do princípio ideológico do “Eixo do Mal”. Há uma ausência sistemática de sintonia entre o eco internacional positivo das falas presidenciais e o tratamento editorial negativo que a mídia nacional lhe atribui, quase por unanimidade. O artigo é de Beto Almeida.

Beto Almeida

"O mundo me condena
e ninguém tem pena
falando sempre mal do meu nome
deixando de saber,
se eu vou morrer de sede
ou se eu vou morrer de fome!"
"Filosofia", Noel Rosa

Fortes e originais declarações de Lula sobre questões espinhosas e complexas do cenário internacional provocam boa oportunidade para nova avaliação sobre a ausência de sintonia entre o eco internacional positivo das falas presidenciais e o tratamento editorial negativo que a mídia nacional lhe atribui, quase por unanimidade.

Primeiro, há que reconhecer: Lula tem tido a audácia de tocar em temas considerados intocáveis como, por exemplo, ao questionar e criticar a reserva de mercado de fato de um clube restrito de países atômicos que pretende impor o desarmamento aos demais países. E, quando algum destes países periféricos reivindica o direito natural e histórico à isonomia de também possuir tecnologia nuclear é logo condenado como se seus objetivos fossem inquestionavelmente terroristas. E são logo colocados no “Eixo do Mal” criado pelo belicoso George Bush.

Já sabemos que os atentados de 11 de setembro de 2001 foram usados como um pretexto pelo mais intervencionista dos países para interferir ainda mais truculenta em cada canto do planeta onde conseguisse. Aliás, recomenda-se a leitura do site “Cientistas pela Verdade”, no qual a versão oficial é questionada com consistência. Após surgir a categoria do “Eixo do Mal”, vem o golpe midiático fracassado contra Chávez com apoio dos EUA, as prisões clandestinas de “suspeitos” em vários países seqüestrados em vôos clandestinos que usaram bases militares de países europeus que se autodenominam democráticos. Surgiu também a campanha contra as “armas químicas de destruição em massa no Iraque” que , com o apoio midiático internacional dos que controlam o fluxo da informação planetária, resultou na invasão sanguinária àquele país do Oriente Médio. As tropas de ocupação ainda lá estão sem que o Obama, agora Prêmio Nobel da Paz, tenha conseguido fazer com que seu discurso de mudanças tenha tradução verdadeira em atos de sua política externa, que é quase sempre militar, sendo sempre intervencionista.

Eixo do Mal: dirigismo ideológico
Na cabeça de Bush - não mencionamos cérebro - o Eixo do Mal era composto por Iraque, Coréia do Norte, Irã, Cuba e provavelmente a Venezuela. Cuba continua bloqueada, mas, mesmo assim, exporta médicos, professores, vacinas, remédios, livros, desportistas, para mais de 70 países. Os EUA, e os “democráticos” países europeus da OTAN, vão exportando militares, armas, inclusive, obviamente as de destruição em massa. O presidente do Timor Leste, jornalista e poeta Ramos-Horta, me informou que os EUA pressionaram-no para que não recebesse os 350 médicos cubanos que lá estão reconstruindo a nação timorense do mais cruel genocídio da era moderna, proporcionalmente falando. Ramos apenas perguntou ao embaixador norte-americano: “quantos médicos os EUA têm aqui em Timor?” Nenhum! Pois estão lá os 350 médicos cubanos e 600 jovens timorenses estudando medicina em Cuba, gratuitamente!

Ao defender Cuba, ampliando as relações Brasil-Cuba, condenando o bloqueio imposto à Ilha e ao quebrá-lo na prática quando instala empresas estatais brasileiras na Ilha, como a Embrapa, a Petrobrás, etc, Lula vai fazendo sua política na contracorrente da política intervencionista do Eixo do Mal. Como complemento, quando os jovens timorenses se formarem em medicina, antes de voltarem à Ásia, farão estágio na Fiocruz no Brasil, como reza o acordo que Lula firmou com Ramos-Horta

Coréia do Norte está lá de pé porque tem armas atômicas, senão seu destino poderia ter sido o do Iraque. E isto tem que ficar muito claro e ser lembrado todos os dias por todos os brasileiros, dos seringueiros aos militares, dos cientistas aos cineastas, dos religiosos aos carnavalescos. Basta mencionar que um suposto relatório da CIA, divulgado pelo extinto jornal Tribuna da Imprensa, dava conta da vulnerabilidade das torres petroleiras da Petrobrás a ataques terroristas. Lula mandou embaixador para a Coréia do Norte, Arnaldo Carilho, que é também grande pensador do cinema, da brasilidade e da soberania informativo-cultural brasileiras. Lula, outra vez, atuou com independência na contracorrente da linha Eixo do Mal, que tem sua vertente midiática.

Hipocrisia editorial
Recentemente, registrou-se a campanha midiática para que Lula não recebesse o presidente iraniano Mahmud Ahjmadinejad. Para este jornalismo, é como se o Brasil não tivesse direito de ter posições independentes e soberanas em política externa. Este mesmo jornalismo calou-se quando o então chanceler brasileiro da era da privataria obedeceu um guardinha de alfândega nos EUA que lhe obrigou a tirar os sapatos para entrar naquele país. O chanceler assumiu ali sua vocação para vassalagem.... Esta política externa de pés descalços foi arquivada por Lula. Junto com ela o projeto da ALCA, a terceirização/alienação da Base de Alcântara e outras.

Quando Lula não apenas discordou da mandatária alemã Ângela Merkel e também disse que as potências atômicas não têm moral para exigir que o Irã não tenha direito ao seu programa nuclear, percebemos novamente como opera a linha editorial subproduto do princípio ideológico do “Eixo do Mal”. Lula estaria, segundo ela, defendendo um país que apoiaria o terrorismo do Hamas e do Hezbolah. Não há o menor esforço para informar, nem internacionalmente, nem aqui, que o Hamas é um partido político eleito pelo voto direto da população palestina que habita a Faixa de Gaza para o exercício do governo. E como todo governo, tem o direito de ter armas, política de defesa. Israel não tem suas armas atômicas?

Sem informação, como julgar?
Não há também a menor vontade de informar que o Hezbolah é um movimento político, que tem praticamente a metade do Parlamento do Líbano, que tem cargos no governo libanês, administrando boa parte da política de saúde e de educação daquele país de preciosa presença na formação do nosso povo. É apenas por ser parte do estado no Líbano que se pode entender como o Hezbolah resistiu e impôs uma verdadeira derrota às agressões de Israel há alguns anos, após o que, pelo voto direto, ampliou sua participação na administração pública libanesa. Vale registrar que a TV do Hezbolah resistiu por várias semanas a terríveis bombardeios israelenses sem sequer sair do ar. Segundo escassas informações, a emissora teve seus transmissores instalados em vários lugares, subterrâneos, exatamente para resistir aos bombardeios. Trata-se de emissora de TV que pode ser sintonizada em todo o mundo árabe e também na Europa. Talvez isto sirva de estímulo para a TV Brasil vencer todos os obstáculos que ainda a impedem ter visibilidade em todo o território nacional, e também internacionalmente, já que o Brasil pretende, legitimamente, ser protagonista de primeira linha no complexo cenário internacional. Para isto já aposentou corretamente a vassalagem da política de externa de “pés descalços” e , com a criação da TV Brasil, pode construir também uma política de comunicação internacional, aliás como já anunciado. Só lembrando, na Era Vargas, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro era a quarta mais potente emissora do planeta, captada em todos os continentes, transmitindo em 4 idiomas......

Seria muito útil que a TV Brasil informasse ampla e profundamente sobre o que ocorre na Palestina, sob todos os ângulos, e também sobre o que é o Hamas, o que é o Hezbolah, como é o Líbano hoje em cuja configuração de poder político tem a presença, pelo voto direto popular, do Hezbolah. Da outra mídia, que tenta desqualificar a política externa praticada por Lula, e que tenta insinuar que Brasil está estabelecendo cooperação mais ampla com um país (Irã) que “apoiaria o terrorismo”, não podemos esperar informações objetivas e verazes sobre estes processos. Afinal, trata-se de uma mídia que segue o manual de jornalismo do “Eixo do Mal” e condena tudo o que questione esta linha, como agora critica Lula por sua audaciosa posição contra os privilégios dos países atômicos que querem manter os outros desarmados.....Tudo isto tem tradução no jornalismo. Ou seja, Lula tem sido singular construtor de pautas para um jornalismo independente. É preciso aproveitá-las com criatividade e originalidade. Ter a audácia, como Lula o faz em política internacional, de discordar da linha editorial convencional sobre temas tão complexos.

Honduras: a isca ideológica do golpismo
No golpe de Honduras a posição valente da política externa brasileira confrontou-se com a linha editorial praticante do “dirigismo de mercado” que, por não admitir em nenhuma hipótese que aquele país centro-americano desenvolvesse cooperação nas áreas de saúde e educação com Cuba, nas áreas agrícola e energética com a Venezuela, optou pela defesa do golpe. Esta mídia engoliu com prazer a isca ideológica do golpismo, segundo a qual, Zelaya é que era o golpista porque queria sua própria reeleição. Mas, este item sequer constava da consulta popular que seria submetida ao povo hondurenho quando o golpe foi dado. Mas, constava da consulta a destinação da base militar norte-americana no país.......

Tal como na invasão do Iraque, quando a isca ideológica era “as armas de destruição em massa”, no caso de Honduras, o Zelaya é que foi transformado em golpista. O New York Times já pediu desculpas seus leitores por ter difundido a mentira das “armas de destruição em massa”, afinal, jamais encontradas. A não ser nas mãos das tropas da OTAN que contaminaram a Yugoslávia e o Iraque com bombas de urânio empobrecido.

Uma vez mais, Lula foi por um lado, “não converso com golpista” , declarou, e a linha editorial da mídia nacional foi na conversa do Partido Pentágono Republicano que impõe seu dirigismo em nome das encomendas da indústria bélica. A solução para estes desencontros é mais informação, mais pluralidade. Por exemplo: com a ajuda da PDVSA, petroleira estatal Venezuela, Zelaya trocou todas as lâmpadas de todas as residências de Honduras por lâmpadas chinesas, que gastam 70 por cento menos de energia. E Honduras tem escassez energética, depende de termoelétricas, celebrou acordo sobre biocombustíveis com o Brasil. Não fica mais claro compreender o porquê do golpe contra Zelaya? E quando será informado que houve descoberta de petróleo na costa hondurenha?

Venezuela: excesso de democracia
No caso venezuelano há fartos exemplos de desinformação e manipulação por parte desta mídia. Chega até a por em dúvida se houve de fato golpe de estado. Aqui no Brasil, a mídia que apoiou o golpe de 1964 também disse que houve “revolução” porque havia vacância de poder. Na Venezuela o presidente da república foi seqüestrado e a mídia mentiu dizendo que ele havia renunciado.

Mas, concentremo-nos no total desencontro das posições de Lula contra esta mídia que segue editorialmente o Partido Republicano-Pentágono, ou os princípios filosóficos editoriais do Eixo do Mal.

Enquanto toda esta mídia afirma que há ditadura na Venezuela, Lula afirma que “na Venezuela há democracia em excesso”. Em 10 anos, foram realizadas 15 eleições, referendos, constituinte, plebiscitos, dois quais Chávez venceu 14 e respeitou o resultado quando foi derrotado. Este desencontro total alcança até mesmo a linha editorial do Observatório da Imprensa na TV, que nos dois programas especiais sobre a Pátria de Bolívar afirmou que lá há ataque à mídia independente. Registre-se que foram considerados “mídia independente” veículos que compõem o Grupo de Diários da América, jornalões vinculados à SIP – Sociedade Interamericana de Prensa , entidade fundada pela Cia no pós-guerra e que sustentou todos os golpes militares na América Latina, seja o golpe contra Perón, contra Jango, contra Allende, tendo apoiado as mais sanguinárias ditaduras da região. Esta mídia atua livremente na Venezuela, ofende e insulta o presidente Hugo Chávez seja por ser negro ou por ser descendente de índio. Assim como esta mesma mídia chama o presidente Evo Moralez de “narcotraficante”, chama a Chávez de “negro doido”, “selvagem”,”psicopata”, “bêbado”.

Detalhe interessante, não ressaltado no programa televisivo citado: não há jornalistas presos na Venezuela, nenhum jornalista foi assassinado, nem torturado, como ocorre agora mesmo na Colômbia, no México, no Peru, em Honduras de Michelleti. Outra informação interessante: o maior jornal da Venezuela, o Nacional, vendia 400 mil exemplares quando Chávez foi eleito, em 1998. Hoje, após dez anos depois de oposicionismo anti-chavista, vende apenas 40 mil exemplares. A Folha de São Paulo, que já imprimiu 1 milhão e hoje caiu para uma tiragem 3 vezes menor, e com uma vendagem de bancas em torno de 30 mil exemplares apenas, deve estar fazendo suas contas. Mas, mesmo assim, tem a petulância de defender o fechamento da TV Brasil, a única emissora que cumpre integralmente o capítulo da Comunicação Social da Constituição, com uma programação cidadã, plural, diversificada, regionalizada, educativa e humanizadora para o público infantil, respeitosa para com a cultura nacional, do samba ao cinema. Falta o futebol , né?

Independente de quem?
Sobre o grupo empresarial que perdeu a concessão da Rádio e TV Caracas, é preciso informar que a concessão, como ocorre em qualquer país, tem prazo limitado por lei e este prazo terminou. Aqui no Brasil as concessões de rádio e TV de grupos poderosos são renovadas automaticamente. Na prática, adquirem caráter de vitaliciedade. Chávez quebrou um tabu ao não renovar a concessão para o mesmo grupo empresarial, exercendo sua prerrogativa presidencial, prevista em lei, como na maioria dos países do mundo. Mas aquela TV continua operando no cabo, não foi fechada. Isto não foi informado. Não teve a concessão renovada porque o espectro radioelétrico é propriedade do povo venezuelano, não é propriedade privada. Nos EUA centenas de concessões foram revogadas desde meados do século passado. Na França, o presidente Chirac também não renovou concessões. Na Inglaterra de Tatcher, idem. Por que será que contra estes países não houve a escandalosa campanha midiática mundial que se fez contra Chávez?

Estes desencontros entre as posições fortes, destemidas e originais de Lula em política internacional e a linha editorial conservadora, submissa e de ideologia dependente da mídia nacional deveriam merecer um bom debate. Mas, era importante que este debate fosse para as telas da TV e para as ondas do Rádio já que nossa mídia impressa além de ser fechada ao tema, registra taxas indigentes de leitura de jornal e revista. Assim, só mesmo as emissoras do campo público da comunicação, a começar pelos veículos da EBC, as TVs educativas, as legislativas, as universitárias e as comunitárias podem de fato abrir-se democraticamente a este debate e dar-lhe caráter amplo e plural que merece. E é exatamente por isso que são tão justas e tão necessárias as propostas de fortalecimento, expansão e qualificação de todas as modalidades da comunicação pública. É por isso mesmo que elas precisam ser aprovadas nesta primeira Conferência Nacional de Comunicação, a ter início no dia 14 de dezembro. Sendo emblemático que ela tenha a presença de Lula na abertura.

Beto Almeida é Presidente da TV Cidade Livre de Brasília





Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16284

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

PCdoB na luta faz história

São poucos os partidos políticos que podem se orgulhar de sua história. Com o partido comunista do Brasil é diferente. Desde a sua fundação, os princípios de solidariedade e a “crença” em uma sociedade justa e igualitária foram os pilares que nortearam a trajetória dos comunistas. A historia do partido se confunde com a história do povo brasileiro pela sua independência e soberania nacional.
O partido nasce no período bastante revolucionário, em 25 de março de 1922. No incio do século XX, teremos a Semana das Artes Modernas, O Levante dos 18 do Forte, Coluna Prestes entre outros acontecimentos que marcaram a história do Brasil. Neste sentido, podemos dizer que o partido comunista do Brasil é filho de um período contestatório e genuinamente nasce no berço da classe trabalhadora.
Em decorrência do Levante dos 18 do Forte, o país entra em estado de sítio, logo o partido comunista do Brasil é posto na ilegalidade. Foi quase sempre a mesma coisa na trajetória do partido, quando o governo sentia-se ameaçado a vitima preferencial era os comunistas, até então nada mais que justificável atacar o partido, pois o governo de fardas precisava combater o povo, o único que poderia derrotá-lo, ou seja, nada mais justo do ponto de vista do governo do que jogar suas garras nos legítimos formadores de uma consciência nova para o setor marginalizado da sociedade.
No Estado Novo o partido é duramente atacado pela ditadura de Getulio Vargas. A ditadura Vargas elege como inimigo a ideologia comunista, que para o então presidente era mais uma ideologia estrangeira que contrariava a política nacionalista do Estado Novo. Foram varias as formas de repressão ao partido, prisão de militantes, cassação de mandatos de deputados e vereadores, expulsão de comunistas estrangeiros que militavam no partido, assassinato de membros do partido, enfim, tudo para calar a voz do partido comunista do Brasil.
Antes do golpe militar, no início da década de 60, era grande a mobilização política no Brasil. A renúncia do presidente Jânio Quadros em 1961 gerou certa instabilidade e permitiu que forças conservadoras tentassem impedir a posse do seu vice João Goulart. A proposta do presidencialismo contra o parlamentarismo acabou vencendo, após plebiscito popular, permitindo a posse de Jango. As propostas de reformas de base do novo governo, entre elas, a reforma agrária e educacional, passaram a ser acusadas de inspiração comunista. O movimento social também era crescente. Sindicatos de categorias estavam organizados. Floresciam as Ligas Camponesas. Isso tudo, num país cheio de contradições e com muitos desafios pela frente.(Guedes, Ana. Art. 28 de agosto sitio vermelho).
O PCdoB foi fundamental para a mobilização das massas neste período, sendo não por acaso o primeiro partido a ser posto na ilegalidade após o golpe militar, tendo boa parte da direção nacional presa nos porões da ditadura militar, onde vários camaradas não resistiram e morreram. Muitos camaradas do partido foram “fichados” no DOPS (Departamento de ordem política e social) e quantos não foram torturados no DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna).
Neste contexto de repressão, vamos presenciar a “Chacina da Lapa”. Há 33 anos, em São Paulo, durante uma operação executada pelos órgãos de repressão da Ditadura militar, agentes do Exército assassinaram três dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e prenderam outros seis militantes. Os dirigentes assassinados no dia 16 de dezembro de 1976 eram Pedro Ventura de Araújo Pomar, Angelo Arroyo e João Baptista Franco Drummond. Pomar, de 63 anos, fora deputado federal (1947-1951). Arroyo foi um dos comandantes da Guerrilha do Araguaia (1972-1974). Drummond, o mais novo, pertencia à Ação Popular Marxista Leninista (APML) quando esta se fundiu com o PCdoB, no início dos anos 70. O episódio ficou conhecido como Chacina da Lapa, porque o desfecho da operação foi o ataque a tiros à casa 767 da Rua Pio XI, no bairro da Lapa, onde o Comitê Central do PCdoB esteve reunido entre os dias 11 e 15 de dezembro de 1976.
Nos inicio da década de 80 o PCdoB foi fundamental para a redemocratização do Brasil, na conhecida campanha pelo voto direto, as diretas já! Esteve presente em apoio ao presidente Lula nas eleições de 1989, 1994,1998 onde o então presidente do Brasil foi derrotado. Com a vitória de Lula em 2002, os comunistas também foram vitoriosos e fazem parte de um projeto para o desenvolvimento do Brasil, com independência e soberania nacional. Hoje ocupamos lugar destacado no cenário político, onde o pcdob está é respeitado, pois são poucos os partidos políticos que tem história para contar em defesa de uma sociedade justa, humana e solidária. O pcdob se orgulha de ser de luta e de ter história. E aqueles que tentaram calar a voz do partido, hoje amarga o desprazer de ver o crescimento do pcdob e a sua influencia política. Viva o Partido Comunista do Brasil! Viva o Povo brasileiro!


Agno Meira
Membro do diretório municipal do PCdoB de Brumado. Formado em História pela Universidade do Estado da Bahia-UNEB, Campus VI Caetité-Ba.

Governo reafirma compromisso com atualização dos índices para reforma agrária

25 de novembro de 2009

Esta manhã, o Fórum Nacional de Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) participou de audiência, em Brasília, com o governo federal, para apresentar um panorama da situação da Reforma Agrária e denunciar a atual ofensiva do latifúndio.

Na presença do ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência), do presidente do Incra, Rolf Hachbart e do chefe do gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, entidades como o MST, Contag, MPA, MAB, CUT, CNBB, entre outros, discutiram o andamento da Reforma Agrária no País.

Os movimentos populares denunciaram a ofensiva dos latifundiários, com a apresentação de projetos o Congresso para tirar do Poder Executivo a responsabilidade de fazer a desapropriação de terras e a atualização dos índices de produtividade, a criação de uma CPI contra a Reforma Agrária e as propostas dos ruralistas de mudanças do Código Florestal.

?Os movimentos sociais cobraram do governo a continuidade e o aprofundamento das medidas para a realização da Reforma Agrária, como a atualização dos índices de produtividade, desenvolvimento dos assentamentos, a desapropriação de latifúndios e o assentamento das famílias acampadas?, disse José Batista de Oliveira, da coordenação nacional do MST.

Durante a reunião, os representantes do governo reafirmaram o compromisso do presidente Lula com a atualização dos índices de produtividade. Um próximo encontro foi marcado para o dia 15 de dezembro para dar continuidade às avaliações do andamento da Reforma Agrária no ano de 2009 e perspectivas para 2010.

Uma carta de reivindicações, dentre elas o cumprimento do que determina a Constituição a respeito das áreas indígenas e de quilombolas, a efetivação de um controle rigoroso dos agrotóxicos, a aprovação da PEC do trabalho escravo e o estabelecimento de um limite para a propriedade da terra, também foi entregue.

Entidades que compõem o FNRA: CONTAG - MST - FETRAF Brasil - CUT - CPT - CÁRITAS BRASILEIRA - MMC - MPA - MAB - CMP - CONIC - CONDSEF - Pastorais Sociais da CNBB - MNDH - MLT - ABRA - ABONG - APR - ASPTA - ANDES - Centro de Justiça Global - CESE - CIMI - CNASI - DESER - ESPLAR - FASE - FASER ? FEAB - FIAN-Brasil - FISENGE - IBASE - IBRADES - IDACO - IECLB - IFAS - INESC - MLST - PJR - REDE BRASIL sobre Instituições Financeiras Multilaterais - Rede Social de Justiça e Direitos Humanos - RENAP - SINPAF - TERRA DE DIREITOS - EMPÓRIO DO CERRADO - COIABE - ABRANDH - ABEEF - Comissão de Justiça e PAZ - Grito dos Excluídos - Jubileu Sul/Brasil - Mutirão Nacional pela Superação da Miséria e da Fome

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Biodiesel: sucesso do programa antecipa aumento de mistura

O governo formalizou ontem (23) a decisão de antecipar para janeiro do ano que vem o aumento da mistura de biodiesel no diesel dos atuais 4 por cento para 5 por cento, o chamado B5. As novas regras foram antecipadas em razão do sucesso do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), cujo objetivo é promover a inclusão social e o desenvolvimento regional.
A medida deve elevar a produção de biodiesel no Brasil para 2,4 bilhões de litros em 2010. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou, durante a solenidade de formalização da nova mistura, que o país não deve ficar dependente do óleo de soja como principal matéria-prima para o combustível.

"Nós não temos o direito de ficarmos dependentes da soja. Será um ledo engano e nós iremos começar a perder politicamente o que ganhamos até agora, porque a soja é um alimento e tem 1 bilhão de seres humanos passando fome no mundo", afirmou.

A questão do uso de alimentos para a produção de biocombustíveis tem gerado críticas pelo mundo afora, e o governo quer evitar essa associação para o biodiesel nacional.

"É preciso que a gente comece a pesquisar e investir em novas oleaginosas, para que a gente tenha uma diversificação muito grande na produção do biodiesel", disse Lula, que defendeu o uso do óleo de soja apenas como elemento regulador do mercado, em momentos de oferta escassa de outros produtos.

O programa de biodiesel no Brasil foi lançado como alternativa de produção para agricultores familiares e apostando em produtos como a mamona, mas o uso do óleo de soja cresceu e hoje é uma das principais matérias-primas do setor.

O presidente cobrou que a Petrobras Biocombustíveis, que é responsável pelas compras de biodiesel no Brasil, assuma a iniciativa de buscar a diversificação das matérias-primas para o biodiesel.

"A minha preocupação é que se amanhã o preço da soja subir muito e a China quiser comprar muito mais, nós poderemos começar a ter problemas", disse Lula.

Com a efetivação do B5 na mistura do biodiesel ao diesel brasileiro, espera-se, também, uma resposta da agricultura familiar, responsável por parcela significativa de matérias-primas adquiridas pelas empresas produtoras de biodiesel. Números consolidados da safra 2007/2008 mostram cerca de 31 mil famílias contratadas e fornecedoras de insumo para a produção de biodiesel.

texto extraido de www.vermelho.org.br (na integra)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O tamanho da direita na câmara dos deputados

O episódio da CPI do MST no Congresso Nacional, serve para nos dá um parâmetro do tamanho da direita ocupando aquele poder colegiado e nos dar uma radiografia das agremiações partidárias em que os representantes da elite oligárquica estão alojados.

Segundo o portal vermelho, dos 185 deputados que assinaram a lista pedindo a CPI, 117 são da oposição e 68 são da base do governo os partido da base que assinaram a lista estão o PMDB (9% de seus deputados), PDT (10% de seus deputados), PP, PR, PSC, PTB e PV tem entre 13% e 39% de suas bancadas entre os deputados que querem criminalizar os Movimentos de Luta pela Terra. Na oposição se destacam o PPS e PSDB (com 100% se seus deputados) e DEM (88 % da bancada assinaram a lista).

Tal fato serve para chamar a atenção da sociedade de que, em que pese termos eleito um presidentes da republica progressistas, comprometidos em fazer algumas políticas de interesse dos menos favorecidos, é latente que além do poder judiciário, também no legislativo a direita ainda tem muito poder.

Em 2010 teremos eleições para o executivo e do legislativo da esfera nacional e estadual, esta é a oportunidade de darmos continuidade nas mudanças em que o pais vem passando a caminho de se tornar uma grande potência mundial, no entanto se não tivermos cuidado as forças retrogradas ligadas a direita elitista e latifundiária irá continuar empentelhando e botando “olho gordo” no crescimentos do Brasil, já que durante os 500 anos que estiveram a frente do governo só souberam fazer papel de capacho, entregando as nossas riquezas, abaixar a cabeça e se curvando aos mandos externos.

O MLT conclama o povo a dar a resposta nas urnas, elegendo deputados que representam os interesses nacionais, que defenda os direitos do povo e que acima de tudo, ajuda na condução do Brasil para a sua vocação natural, o de um país rico com melhor distribuição de suas riquezas e melhor distribuição se suas terras.

Abaixo a Direita retrograda, vivo o Brasil.
Lutar, Conquistar. Reforma Agrária Já!

Aldenes Meira Santos.
Estudante de Agronomia pela UESC e
Coordenador Estadual do MLT

Procura-se Dr. Adailton Miranda, uma mente brilhante a favor do povo de Brumado.

OBS: Na ultima semana recebi um e-mail, de uma pessoa que se apresentava como ex-petista e advogado. O e-mail vinha com um artigo que falava sobre o fisiologismo do diretório do partido dos trabalhadores em Brumado. O artigo fazia criticas aos companheiros Fradinho e o Senhor Salvador da Farmácia. Porém informações nos dizem que o tal Adailton Miranda não existe, é um codinome. Em resposta escrevo este sarcástico artigo.

O meio político brumadense está à procura do ex-petista e Advogado Doutor “Adailton Miranda”. O mesmo se encontra desaparecido há quanto tempo nós não sabemos. Porém, os brumadenses estão ansiosos por conhecer esta personalidade que soube mais do que ninguém, retratar a conjuntura política de nossa cidade, com pinceladas certeiras típicas dos grandes homens de nossa história. Doutor “Adailton Miranda”, ficou conhecido pela suposta “elite pensante” brumadense pelo brilhante artigo escrito “por ele mesmo”, onde abordava o fisiologismo do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores em Brumado. As criticas do nosso Adailton Miranda, é embasada na ética, haja vista, que Dr. Adailton Miranda não tem partido político, é imparcial, ou seja, é o intelectual que o Brasil precisa para resolver todas as mazelas e as injustiças causadas ao longo de nossa história por uma elite atrasada e prepotente.
Reconheço também que estou à procura do ex-petista e advogado, Dr. Adailton Miranda, pois tamanha moral e ética nos espira a fazer parte desta corrente em favor de uma Bramado mais feliz, justa e sem fisiologismo. Fonte verídica nos revelou que o tal Dr. Adailton Miranda esteve nos últimos dias morando na Terra do Nunca, onde as crianças não crescem, onde a infância permite toda e qualquer atrapalhada. Acreditamos que foi neste mundo de fantasias, onde tudo é permitido, que o Dr. Adailton Miranda se formou, lá o nosso advogado defendeu as causas dos oprimidos e injustiçados, tendo como pilar de sua advocacia a “ética e a moral”.
Dr. Adailton Miranda em sua tese de Doutorado, na Universidade da Terra do Nunca, defendeu com tamanha maestria os jovens estudantes e sindicalistas que lutavam contra o regime militar imposto pelo Capitão Gancho. Naquele momento de infelicidade do povo da “Terra do Nunca”, o Dr. Miranda, relatou em sua tese de doutorado como os militantes da esquerda tinham que esconder sua verdadeira identidade, pois a perseguição do regime era cruel e infalível.
Usar codinomes foi algo muito comum entre os militantes da esquerda em todo o mundo, pois era uma tática de proteção do aparelho de luta conta o regime de fardas. Os opressores também usavam desta tática para infiltrarem nestes aparelhos e obterem informações que posteriormente serveria para o desmantelamento de sua organização.
Naquele contexto, usar codinomes não era modismo, mais sim, uma necessidade. Hoje muitas pessoas se escondem atrás de codinomes, para difamar, enganar e usar da boa fé dos cidadãos. O Dr. Adailton Miranda é um ferrenho critico desses covardes, haja vista, que o mesmo defende a ética acima de tudo.
Saindo do contexto da “Terra do Nunca” e, voltando para realidade infelizmente ou felizmente, não podemos deixar de comentar o quanto à política tem sido atacada pelo monopólio da mídia, como se fosse algo ruim, onde as pessoas de bem teria por obrigação de não se envolver. Acredito que a política seja algo bom, que todos os cidadãos deveria sim participar ativamente das decisões que é de interesse de todos. Porem em todo lugar existe o mau caráter, que engana, omite e simula uma realidade que não existe. Não estamos livres destes profetas da verdade.
Bom que existe o Dr. Adailton Miranda! O defensor da ética na política, o intelectual que esta a favor do povo do Brasil e especialmente de nossa querida Brumado. Sem Dr. Adailton Miranda o que seria dos marginalizados de nossa cidade, o que seria da política brumadense ?. Por favor, quem souber o paradeiro deste promissor intelectual, nos comunique, nos informe, pois não agüentamos mais um dia sem saber quem é e onde esta o nosso profeta.
Informações confidenciais dizem que o nosso querido e amado Dr. Adailton Miranda estará no encontro do PMDB jovem de Brumado que será realizado nos dias 16 e 17 de outubro de 2009 no clube dos Mineradores de Brumado. Esperamos que seja verdade esta informação e, que o discípulo do grande mestre da ética na política, o Senhor Ministro da integração Nacional Geddel Vieira Lima, traga uma mensagem otimista para a juventude brumadense, principalmente os que moram nos bairros periféricos, como Dr. Juraci; São Jorge; Baraúna; São Felix; Malhada Branca; Urbis II que não tiveram a oportunidade de ler o seu magnífico e extraordinário artigo.
Para terminar, e deixando o sarcasmo de lado, acredito que em Brumado as coisas tendem a mudar, o povo de nossa cidade não aceita mais tamanha falsidade e aqueles que enganaram e os que enganam até hoje a nossa cidade, terá futuramente a resposta nas urnas. Um outro mundo é possível e, para chegarmos a este mundo não precisamos usar as mesmas armas de nossos opressores, ao contrario, temos por obrigação de combatê-las.


Agno Meira
Licenciado em História pela Universidade do Estado da Bahia
Ex-presidente da União dos Estudantes de Brumado
Membro do Diretório Municipal do PCdoB de Brumado.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...